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Mapa: China já supera UE e EUA no comércio internacional com 92 países

No início do século XXI, a Europa e os Estados Unidos dominavam o comércio internacional, concentrando grande parte das trocas comerciais com a esmagadora maioria dos países. Um quarto de século depois, o panorama económico mundial transformou-se profundamente: a China ganhou terreno às potências ocidentais e tornou-se o principal destino ou origem das trocas comerciais de cerca de metade dos países do mundo.
De 8 para 92: número de países em que a China passou à frente da UE e dos EUA como maior parceiro comercial, entre 2000 e 2025
Países em que cada um é o maior dos três parceiros comerciais, em 2000 e em 2025. Fonte: UN Comtrade.
8economias onde a China liderava em 2000
92economias onde a China lidera em 2025, num total de 183
13×crescimento das trocas de bens da China: de 0,47 para 6,35 biliões de dólares

De 8 para 92 países

No início do século XXI, tomando o ano 2000 como ponto de partida, a União Europeia e os Estados Unidos dominavam amplamente o comércio internacional. Na comparação entre estas duas potências e a China, os mercados europeu e norte-americano registavam o maior volume de trocas comerciais com a esmagadora maioria dos países. A China liderava esta comparação em apenas oito economias, quatro das quais situadas na sua proximidade geográfica, incluindo a Mongólia, Myanmar e a Coreia do Norte. As restantes eram sobretudo países exportadores de petróleo, entre os quais Omã, o Sudão e o Iémen.

Vinte e cinco anos depois, o panorama do comércio mundial é radicalmente diferente. Em 2025, a China já regista o maior volume de trocas comerciais com 92 das 183 economias analisadas, superando a União Europeia, que lidera em 62, e os Estados Unidos, em 29. Estes resultados refletem uma profunda alteração no equilíbrio comercial mundial, com a China a ganhar terreno às duas potências ocidentais.

A adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC), em dezembro de 2001, marcou um momento decisivo na expansão do comércio chinês à escala global. Desde então, o volume de trocas comerciais de mercadorias passou de 0,47 biliões de dólares em 2000 para 6,35 biliões em 2025, ultrapassando os valores registados pela União Europeia (5,8 biliões) e pelos Estados Unidos (5,6 biliões).

Explorar o mapa

Escolha o ano ou a vista «O que mudou» e carregue num país para ver as trocas com a UE, os EUA e a China, em mil milhões de dólares.

Comércio de bens · 2000 vs 2025 · UN Comtrade
Qual é o maior parceiro comercial de cada país: UE, EUA ou China?

Cada país está pintado com a cor do parceiro, entre estes três, com quem tem mais comércio de bens (exportações + importações).

Quem trocou de parceiro entre 2000 e 2025

Só economias com dados nos dois anos. Carregue num nome para ver os valores.

Todos os países

Valores em mil milhões de dólares, 2025. Inclui pequenos territórios que não se veem no mapa.

PaísLíder 2000Líder 2025UEEUAChinaMargem

Fonte. UN Comtrade, comércio de bens (HS, total), descarregado a 20 out. 2026. Os valores são os declarados pela própria UE, China e EUA para cada parceiro. Importações a valor CIF, exportações a valor FOB. Serviços excluídos.

Leitura. A cor indica qual dos três pesa mais, não o maior parceiro do país em absoluto. A margem é a distância entre o primeiro e o segundo lugar, em pontos percentuais do comércio com os três. Abaixo de 5 p.p. o resultado pode mudar com outra fonte.

Composição da UE. Em 2000 a Comtrade usa a UE de 2007 (27 membros, com o Reino Unido e sem a Croácia). Em 2025 usa a UE-27 atual. Os membros aparecem a cinzento.

Notas. Taiwan corresponde ao código "Other Asia, nes". Sérvia e Montenegro partilham o valor de 2000. O Sudão de 2000 inclui o atual Sudão do Sul. Kosovo não tem dados próprios.

Quem mudou de lado

Algumas das mudanças mais significativas ocorreram entre países tradicionalmente próximos de Washington. No início do século XXI, o Japão, a Coreia do Sul e as Filipinas mantinham relações comerciais mais intensas com os Estados Unidos, mas, 25 anos depois, a China passou a ocupar essa posição. A Austrália e o Brasil seguiram uma trajetória semelhante, substituindo a União Europeia pela China como principal referência comercial entre as três potências, impulsionados sobretudo pela crescente procura chinesa de matérias-primas, como minério de ferro, soja e petróleo.

A Rússia seguiu o mesmo caminho, e as sanções ocidentais de 2022 aceleraram a mudança: as trocas com a China (227 mil milhões de dólares) já valem mais do triplo das trocas com a UE. Na Arábia Saudita e nos outros países do Golfo, a procura asiática de petróleo fez o resto.

Onde o Ocidente resiste

A proximidade geográfica continua, isto é, a desempenhar um papel determinante nas relações comerciais. Os Estados Unidos mantêm uma posição dominante no Canadá, no México, na América Central e nas Caraíbas. Por sua vez, a União Europeia conserva uma forte influência comercial nos países europeus que não integram o bloco, como o Reino Unido, a Suíça, a Noruega e a Turquia, bem como no Magrebe e em grande parte da África Ocidental.

E os países de língua portuguesa?

O espaço lusófono apresenta também realidades comerciais distintas. Cabo Verde, a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe mantêm a União Europeia como principal referência comercial entre as três grandes potências, enquanto Angola, Moçambique, o Brasil e Timor-Leste reforçaram as suas relações económicas com a China. O caso de Angola é particularmente significativo: no início do século XXI, os Estados Unidos lideravam as trocas comerciais com o país, impulsionadas sobretudo pelo petróleo. Atualmente, o comércio angolano com a China representa mais do dobro do volume registado com a União Europeia.

Como ler o mapa. Os dados apresentados têm como fonte a UN Comtrade e correspondem ao valor das trocas comerciais de mercadorias entre cada país e as três grandes economias analisadas: União Europeia, China e Estados Unidos. A comparação exclui os serviços e considera apenas o comércio de bens. Assim, um país assinalado a vermelho apresenta um volume de trocas comerciais superior com a China do que com a UE ou os EUA, sem que isso signifique necessariamente que a China seja o país com o qual mantém as maiores trocas comerciais a nível mundial. Para os dados de 2000, foi considerada a composição da União Europeia em 2007, incluindo o Reino Unido.

Os casos no limite

Nalguns países, a diferença é mínima. Na Índia, a China fica à frente dos EUA por menos de um ponto percentual. Em Taiwan, os registos chineses dão a liderança à China, mas os dados do próprio Taiwan colocam os EUA à frente desde 2025, graças às exportações de servidores para inteligência artificial. Com outra fonte, uma ou outra cor do mapa poderia mudar.

A tendência, essa, não muda: em 25 anos, metade do mundo trocou de parceiro comercial.

Fontes
Creative Commons BY-NC-ND 4.0

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